Patricia Franco
Joalharia_JewelryDo you use your PAIN to create? 2009
“Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?”
Magnificat (Fernando Pessoa)

Nesta nova série de trabalhos – jóias e esculturas – encontra-se latente a procura de pontos de ligação entre criação e dor, e a explicitação da dor pela forma e cor.
A dor vai além da experiência real e da ocorrência de dor física e abrange a totalidade da vida; nesta nova série de trabalhos apresento a minha interpretação e leitura próprias deste tema: as formas que os trabalhos apresentam, côncavas e convexas, mas sempre endógenas, camuflam o vazio destacando, por outro lado, a malha marcada de forma irregular mas continuada.
Esta série levanta a questão da relação dor/arte assumindo de forma visível a consciência da mesma, permitindo, no entanto, liberdade na apreciação e análise. O título da série denuncia a questão, permitindo uma multiplicidade de análises e de sentidos.
Do you use your pain to create?










ESCULTURAS PARA USAR de 6 a 20 de JUNHO, na Galeria IMERGE_1ª Intervenção na Montra
Este grupo de trabalhos são a representação de uma pesquisa visual, conduzida nos últimos 3 anos, reflectindo um ponto de vista, intimista e pessoal, da importância da memória (fisiológica e emocional).
Em 2007 iniciei a experimentação com fio metálico utilizando técnicas antigas de malha aparentemente anacrónicas que aprendi em criança com a minha mãe e avó, como o crochet, tricot e o bordado.
Desde então, comecei a criar joalharia e escultura em malha utilizando apenas as mãos e uma agulha de malha, criando objectos únicos ou de série limitada.
Quando crio uma jóia ou escultura tento recuperá-lo do pressuposto decorativo que ainda pode possuir nas sociedades contemporâneas, abordando temas universais que, de alguma forma, fazem parte da minha memória visual.
PATRÍCIA FRANCO, 2009
“desejada suspensão” de Maria João Patronilho
“Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.
(…)”
Alvaro de Campos,
“Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir” , s.d.
literatura, poesia, letras, palavras cuidadosamente desenhadas, a sua visualização em acções separar, isolar, sobrepor, acrescentar, reunir, agrupar, invadir, violar os limites entre espaços sentir é o mote, viajar nesses sentimentos é a procura, a suspensão é o propósito
esta reflexão permitiu avançar espiritualmente para mais um projecto pictórico aqui a abstracção é fundamental, a poética da transferência, transposição, depois de afastamento os sentimentos resultam numa gestualidade espontânea. os registos pictóricos pertencem ao imaginário casuístico, pretendem ser uma ampliação da percepção, que se manifesta num aparente equilíbrio e de justa tensão. a contaminação de um pensamento plástico em que numa regularidade escondida, preside uma desordem e nascem furiosas as manchas.
Procuro a importante batalha de emoções, entre o silêncio e a exuberância, no limite da desejada suspensão
maria joao patronilho, maio2009




















