Patricia Franco

Joalharia_Jewelry

Archive for October, 2008

Exposições em Outubro e Novembro

4 perspectivas

Patrícia Franco &

Mário Nogueira

A uma colectiva pede-se um fio, ou quatro perspectivas seriam apenas e, pontualmente, opiniões: quatro opiniões. Não se optou por uma aproximação temática e, provavelmente, mais fácil: a ‘constante’ é aqui do género da pertença.

Entre quatro aproximações a um conceito, mais do que a uma disciplina – a joalharia contemporânea – e quatro autores diversos nas formas, técnicas, materiais ou mesmo nas opções estéticas que apresentam, o que sobressai neste corpo colectivo é uma articulação de alguns elementos chave na joalharia: a técnica, o design e o valor. É num léxico comum que se encontram 4 vozes interpretativas de uma proposta que extravasa a singularidade de cada discurso.

São propostas de narrativas comuns na permeabilidade com que encaram herança e história, técnicas e materiais, função e valor. Pertencem, por aproximação e risco, a uma genealogia particular em que a memória se afirma na mesma e exacta medida em que se reinventa.

A joalharia já dificilmente se pode remeter à idealização ou concepção anacrónica da ‘jóia’: o objecto imiscuiu-se, irremediável, na sua forma e plano de intenções; a contemporaneidade, adquiridos e digeridos os primados pós-modernos, impôs-se na predisposição, na gramática, na função, nos métodos e na estética. Joalharia e joalharia contemporânea são cada vez menos duas vertentes disciplinares mas o resultado de uma transformação lenta, e no entanto fértil, da joalharia num campo de expressão artística. A joalharia, de artesanal a industrial, apresenta-se, agora individual, manifestação de projectos e discursos próprios tão cativantes quanto podem ser as expressões de um campo aberto e em plena reformulação.

Os autores que aqui se apresentam são exemplares na revelação das direcções permitidas neste campo. Se no uso de materiais se dessacralizou a ortodoxia do metal e da pedra preciosa, é na introdução de elementos disruptivos, quer na técnica, quer no design, que os trabalhos patentes se aproximam de uma linguagem comum.

A revalorização da dimensão individual e sobretudo manual na concepção e produção do objecto é acompanhada por um reposicionamento do seu valor simbólico num permanente estado de extensão identitária (do sujeito, do corpo em detrimento do grupo, da posição).

Modo de fazer, praxis oscilante entre o ascendente e o porvir, a joalharia contemporânea não tem ainda, apesar de tudo, uma difusão que lhe permita uma completa autonomia.

Mas a fraqueza do seu mercado é, paradoxalmente, um seguro que mantém em marcha uma liberdade experimental e criativa única. A disseminação e diversidade de criadores, consagrados ou emergentes, possibilita, na ausência de um paradigma formal, e apesar de reconhecíveis centros difusores e formativos, a afirmação e construção de universos pessoais, únicos e íntimos, como o demonstram as 4 vozes que aqui se pressentem.

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Algumas Imagens

Autoria Patrícia Franco

Série Fisiologia Humana, 08

Jóia objecto

Díptico

Nesta exposição, para além de trabalhos da minha autoria, apresentarei ainda os resultados de uma parceria com Sara Cardina.

Sara Cardina Nasceu em Lourenço Marques (actual Maputo), Moçambique em 1960.

Vive nas Caldas da Rainha e trabalha em Óbidos.

Madeira, vidro, PMC, modelação, textura, pedras, prata, ouro, 3 D, rendilhados, uma panóplia de técnicas e materiais coabitam num mesmo universo – a obra de Sara Cardina. No entanto, é o PMC que sobressai no seu trabalho, pela experimentação e possibilidades que este material permite e pela proximidade física à matéria.

O PMC é um material muito recente, pasta não tóxica, composta por 92% de metal em estado puro: ouro, prata, bronze ou platina e 8% de aglutinante de origem orgânica e água. Em 2008 decide apostar numa especialização a nível internacional, deslocando-se à Mid Cornwall School of Jewellery em Inglaterra onde recebeu formação de Lisa Caine (Formadora e Directora da Cornwall School of Jewellery). Desde 2008 que faz parte do PMC Guild.

No trabalho de Sara Cardina denota-se a constante exploração dos elementos naturais (padrões e cor), na sua forma e utilização de materiais. São desenhos que fazem parte da nossa consciência colectiva – um circulo, uma folha alongada ou uma concha.

Em Sara Cardina , a jóia é uma dádiva de amor.

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cruzamentos
SUBLIMINARES
maria joão patronilho

Penso que o amor é muito difícil.

Existem muitos obstáculos a que possa ser o absoluto que é.

A palavra amor é uma palavra muito gasta, muito usada, e

muitas vezes mal usada, e eu quando falo de amor faço-o no sentido absoluto…

há uma série de outros sentimentos aos quais também se chama amor e que não o são.

No amor é preciso que duas pessoas sejam uma e isso não é fácil de encontrar.

E, uma vez encontrado, não é fácil de fazer permanecer

José Luis Peixoto, 2003


08-09

Ilustração de Gaelle Sandré inspirada em trabalhos recentes

Fisiologia Humana, 2008

Pregadeira

cobre vermelho

Fisiologia Humana, 2008

Pregadeira e Colar

cobre vermelho, preto e branco, prata, PMC prata (Sara Cardina), resina